sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

NEWSLETTER Nº 19

Aqui publicamos mais uma newsletter, a de Dezembro, com as atividades levadas a cabo.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

OLIMPÍADAS DA LEITURA

Realizaram-se ontem, na Biblioteca, as Olimpíadas da Leitura do 2º ciclo.




Perante um júri de três professoras, os alunos leram os textos que tinham escolhido e preparado.




Receberam todos um diploma de participação.





Os vencedores foram:


LARA QUINTELA do 5º B
e
MIGUEL ANDRADE do 6º E

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

NEWSLETTER DE NOVEMBRO

Aqui estão as atividades levadas a cabo no mês de Novembro e as que se irão realizar em Dezembro.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

VENDA DE NATAL

Vem à VENDA DE NATAL,na Biblioteca da Escola. Vais encontrar, com certeza, a prenda ideal.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O LIVRO DO MÊS

A Biblioteca sugere-te para este Natal muitas das leituras que possui, sobre o tema mas escolheu este livro para « O Livro do Mês » :

A ÁRVORE DAS HISTÓRIAS DE NATAL - José Jorge Letria, ilust. Viktorya Borshch

         

O livro tem uma dezena de histórias deliciosas, que se lêem rapidamente e que nos deixam a pensar.
Apresentamos-te aqui uma, para te aguçar o apetite à leitura.


        

A Noite, a lua e os meninos tristes

Quase vencida pelo peso do sono, a Noite virou-se para a Lua e perguntou-lhe:
- Onde vais passar este ano o teu Natal?
- Vou passá-lo com os meninos mais tristes da rua mais triste da mais pobre das cidades - respondeu a Lua.
- Mas esses meninos - argumentou a Noite - são tão tristes que nem sequer festejam o Natal.
A Lua esboçou um sorriso e respondeu-lhe
- Aí é que tu te enganas. Se eu descer à Terra e for festejar com eles, podes crer que terão um Natal de que nunca mais irão esquecer-se.
A Noite, que era experiente e astuta, considerou essa possibilidade e decidiu colocar à Lua esta questão:
- Mas, se tu desceres à Terra para festejar o Natal com eles, isso significa que eu vou ficar às escuras nessa noite, pois a única luz que verdadeiramente me ilumina é a tua.
A Lua, fingindo nunca ter pensado nessa possibilidade, quis tranquilizar a amiga:
- Mas tu tens a luz dos arranha-céus, a dos candeeiros de rua, a dos projectores dos palcos e dos estádios e das cidades inteiras quando estão iluminadas.
- Tu bem sabes - replicou a Noite, desagradada com os argumentos da amiga - que a luz é mais forte que todas as outras juntas, pois é capaz de iluminar, ao mesmo tempo, ilhas e continentes, aldeias esquecidas e becos escondidos.
- Mas só uma noite não há-de fazer mal, se eu sair do meu posto e for para junto daqueles que mais precisam de mim - disse a Lua, reforçando a decisão que tomara.
- Aí é que tu te enganas - respondeu a Noite -, pois a tua ausência será sinónimo de uma escuridão quase total, e é até bem possível que, ao tomares essa atitude, mudes o curso dos rios e a cadência das marés, o ritmo das colheitas e o ciclo da fertilidade das terras.
- Mas em compensação, deixarei muitas crianças tristes finalmente felizes por terem uma peripécia para contar, numa cidade onde nada acontece, a não ser a tristeza que a pobreza lhes causa - disse a Lua, pesando bem as suas palavras, que eram luminosas e suaves como a claridade que dela provinha.
Decididamente, a Noite e a Lua pareciam incapazes de se porem de acordo quanto à forma como iriam passar a noite de Natal que se avizinhava, saltando casas no calendário. Foi então que a Noite decidiu fazer uma sugestão:
 - Bem podias fazer um esforço no sentido de, nessa data, teres a forma de lua cheia. Se tal acontecer, podes muito bem deixar a parte maior a iluminar-me e enviar uma fatia de quarto minguante para entreteres as tais crianças que agora tanto te preocupam.
A Lua reflectiu em silêncio sobre a sugestão que acabara de lhe ser feita e respondeu à Noite:
- Aceito a sugestão, mas vou pô-la em prática ao contrário.
- Não estou a perceber - disse a Noite.
-Eu explico-te: deixo-te uma fatia de quarto minguante para te iluminar e levo a parte maior para alegrar as crianças da cidade triste que já escolhi.
- É preciso teres mesmo má vontade - comentou a Noite, zangada com a amiga.
- Nada disso - respondeu a Lua -, vou apenas dar a parcela maior de luz a quem dela mais necessita.
- E posso saber - perguntou a Noite - de onde te vem um tão forte interesse por essas crianças que ninguém conhece?
- Claro que podes - respondeu a Lua. - Enquanto tu dormes a sono solto, à espera que o dia nasça, eu estou lá em cima de atalaia e vejo hora a hora, minuto a minuto, o que se passa lá em baixo.
- E o que vês?
- Vejo crianças tristes no meio das ruínas das cidades em guerra, procurando alimento no meio dos escombros, com filas de cães famintos seguindo-lhes os passos para as não deixarem sós nessas horas de aflição.
- E o que é que tu tens a ver com isso?- Perguntou a Noite, secamente.
- Tenho tudo, por mais estranho que possa parecer-te. Tenho principalmente muita pena delas porque, quando era pequenina, também fui uma lua triste.
- Só isso? - perguntou a Noite em tom ácido de comentário, como se quisesse rematar a conversa.
- Não, há ainda outra coisa que eu me esqueci de te dizer: qunado elas estão triste e aflitas, sou eu que as ilumino, porque tu só estás preocupada com as tuas horas de sono. Por isso eu sou a luz e a esperança que lhes resta, e é sempre para mim que elas olham quando imaginam que é possível ter esperança. É por isso que este ano eu quero passar com elas a noite de Natal, para elas poderem contar ao mundo que eu fui a sua visita e a sua companhia.
- Será que precisas que eu te apresente outras razões para eu ter feito esta escolha?
A Noite não respondeu, pois tinha acabado de adormecer, já desinteressada da discussão. A Lua, então, calçou umas pantufas feitas com algodão de nuvens e desceu à Terra para se ir encontrar com as crianças mais tristes da rua mais triste da mais pobre das cidades. Quando a Noite acordou, como sempre comodista e nada preocupada com a felicidade dos outros, nem luz teve para encontrar o copo de água de orvalho que costumava beber ao despertar, para limpar os restos da escuridão. Protestou, mas, desta vez, a Lua não lhe respondeu, pois estava cercada de crianças, numa velha praça iluminada, com uma banda a tocar num coreto e com grinaldas de luar encimando as copas das árvores despidas de folhas e tiritando de frio.

       

Linda, não é?
Pois a outras nove histórias são tão bonitas como esta.
Por isso, passa pela Biblioteca e vem lê-las!

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

UM POSTAL DE NATAL

Concurso de poesia na Biblioteca.


A Biblioteca desafia-te a escrever e ilustrar um postal de Nata.
Vem concorrer.
Pede na Biblioteca a tua cartolina e escreve uma mensagem de Natal original e criativa, ilustra a teu gosto e ganha prémios.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

RECOMEÇO DAS AULAS COM SOPHIA

Este ano o projecto comum das Escolas do Porto com o SABE é sobre o Mar e a Terra na obra de dois autores: Sophia de Mello Breyner e Andersen e Eugénio de Andrade. Por isso deixo aqui este texto maravilhoso de Sophia com o ruído do mar de fundo. Apreciem!

Quando eu era pequena, passava às vezes pela praia um velho louco e vagabundo a quem chamavam o Búzio. O Búzio era como um monumento manuelino: tudo nele lembrava coisas marítimas. A sua barba branca e ondulada era igual a uma onda de espuma. As grossas veias azuis das suas pernas eram iguais a cabos de navio. O seu corpo parecia um mastro e o seu andar era baloiçado como o andar dum marinheiro ou dum barco. Os seus olhos, como o próprio mar, ora eram azuis, ora cinzentos, ora verdes, e às vezes mesmo os vi roxos. E trazia sempre na mão direita duas conchas.

Eram daquelas conchas brancas e grossas com círculos acastanhados, semi-redondas e semitriangulares, que têm no vértice da parte triangular um buraco. O Búzio passava um fio através dos buracos, atando assim as duas conchas uma à outra, de maneira a formar com elas umas castanholas. E era com essas castanholas que ele marcava o ritmo dos seus longos discursos cadenciados, solitários e misteriosos como poemas.

O Búzio aparecia ao longe. Via-se crescer dos confins dos areais e das estradas. Primeiro julgava-se que fosse uma árvore ou um penedo distante. Mas quando se aproximava via-se que era o Búzio.

Na mão esquerda trazia um grande pau que lhe servia de bordão e era seu apoio nas longas caminhadas e sua defesa contra os cães raivosos das quintas. A este pau estava atado um saco de pano, dentro do qual ele guardava os bocados secos do pão que lhe davam e os tostões. O saco era de chita remendada e tão desbotada pelo sol que quase se tomara branca.

O Búzio chegava de dia, rodeado de luz e de vento, e dois passos à sua frente vinha o seu cão, que era velho, esbranquiçado e sujo, com o pêlo grosso, encaracolado e comprido e o focinho preto.

E pelas ruas fora vinha o Búzio com o sol na cara e as sombras trémulas das folhas dos plátanos nas mãos.

Parava em frente duma porta e entoava a sua longa melopeia ritmada pelo tocar das suas castanholas de conchas.
Abria-se a porta e aparecia uma criada de avental branco que lhe estendia um pedaço de pão e lhe dizia:
-Vai-te embora, Búzio.
E o Búzio, demoradamente, desprendia o saco do seu bordão, desatava os cordões, abria o saco e guardava o pão.
Depois de novo seguia.
Parava debaixo de uma varanda cantando, alto e direito, enquanto o cão farejava o passeio. E na varanda debruçava-se alguém rapidamente, tão rapidamente que o seu rosto nem se mostrava, e atirava-lhe um tostão e dizia:
-Vai-te embora, Búzio.

 E o Búzio demoradamente - tão demoradamente que cada um dos seus gestos se via -desprendia o saco do pau, desatava os cordões, abria o saco, guardava o tostão, e de novo fechava o saco e o atava e o prendia.
E seguia com o seu cão.
Havia na terra muitos pobres que apareciam aos sábados em bandos acastanhados e trágicos, e que pediam esmola pelas portas e faziam pena. Eram cegos, coxos, surdos e loucos, eram tuberculosos cuspindo sangue nos seus trapos, eram mães escanzeladas de filhos quase verdes, eram velhas curvadas e chorosas com as pernas incrivelmente inchadas, eram rapazes novos mostrando chagas, braços torcidos, mãos cortadas, lágrimas e desgraça. E sobre o bando pairava um murmúrio incansável de gemidos, queixas, rezas e lamentações.

Mas o Búzio aparecia sozinho, não se sabia em que dia da semana, era alto e direito, lembrava o mar e os pinheiros, não tinha nenhuma ferida e não fazia pena. Ter pena dele seria como ter pena de um plátano ou de um rio, ou do vento. Nele parecia abolida a barreira que separa o homem da natureza.

 O Búzio não possuía nada, como uma árvore não possui nada. Vivia com a terra toda que era ele próprio.
A terra era sua mãe e sua mulher, sua casa e sua companhia, sua cama, seu alimento, seu destino e sua vida.
Os seus pés descalços pareciam escutar o chão que pisavam.
E foi assim que o vi aparecer naquela tarde em que eu brincava sozinha no jardim.

A nossa casa ficava à beira da praia.
A parte da frente, virada para o mar, tinha um jardim de areia. Na parte de trás, voltada para leste, havia um pequeno jardim agreste e mal tratado, com o chão coberto de pequenas pedras soltas, que rolavam sob os passos, um poço, duas árvores e alguns arbustos desgrenhados pelo vento e queimados pelo sol.

O Búzio, que chegou pelo lado de trás, abriu a cancela de madeira, que ficou a baloiçar, e atravessou o jardim, passando sem me ver. Parou em frente da porta de serviço e ao som das suas castanholas de conchas pôs-se a cantar.
Assim esperou algum tempo. Depois a porta abriu-se e no seu ângulo escuro apareceu um avental. Visto de fora, o interior da casa parecia misterioso, sombrio e brilhante. E a criada estendeu um pão e disse:
 -Vai-te embora, Búzio.
Depois fechou a porta. E o Búzio, se pressa, demoradamente como que desenhando na luz cada um dos seus gestos, puxou os cordões, abriu o saco, tomou a atar o saco, prendeu-o no pau e seguiu com o seu cão.

Depois deu a volta à casa, para sair pela frente, pelo lado do mar.

Então eu resolvi ir atrás dele.

Ele atravessou o jardim de areia coberto de chorão e lírios do mar e caminhou pelas dunas. Quando chegou ao lugar onde principia a curva da baía, parou. Ali era já um lugar selvagem e deserto, longe de casas e estradas.

Eu, que o tinha seguido de longe, aproximei-me escondida nas ondulações da duna e ajoelhei-me atrás de um pequeno monte entre as ervas altas, transparentes e secas. Não queria que o Búzio me visse, porque o queria ver sem mim, sozinho.

Era um pouco antes do pôr do Sol e de vez em quando passava uma pequena brisa.
Do alto da duna via-se a tarde toda como uma enorme flor transparente, aberta e estendida até aos confins do horizonte.
A luz recortava uma por uma todas as covas da areia. O cheiro nu da maresia, perfume limpo do mar sem putrefacção e sem cadáveres, penetrava tudo.
E a todo o comprimento da praia, de norte a sul, a perder de vista, a maré vazia mostrava os seus rochedos escuros cobertos de búzios e algas verdes que recortavam as águas. E atrás deles quebravam incessantemente, brancas e enroladas e desenroladas, três fileiras de ondas que, constantemente desfeitas, constantemente se reerguiam.

 No alto da duna O Búzio estava com a tarde. O sol pousava nas suas mãos, o sol pousava na sua cara e nos seus ombros. Ficou algum tempo calado, depois devagar começou a falar. Eu entendi que ele falava com o mar, pois o olhava de frente e estendia para ele as suas mãos abertas , com as palmas em concha viradas para cima. Era um longo discurso claro, irracional e nebuloso que parecia, com a luz, recortar e desenhar todas as coisas.

Não posso repetir as suas palavras: não as decorei e isto passou-se há muitos anos. E também não entendi inteiramente o que ele dizia. E algumas palavras mesmo não as ouvi, porque o vento rápido lhas arrancava da boca.
Mas lembro-me de que eram palavras moduladas como um canto, palavras quase visíveis que ocupavam os espaços do ar com a sua forma, a sua densidade e o seu peso. Palavras que chamavam pelas coisas, que eram o nome das coisas. Palavras brilhantes como as escamas de um peixe, palavras grandes e desertas como praias. E as suas palavras reuniam os restos dispersos da alegria da terra. Ele os invocava, os mostrava, os nomeava: vento, frescura das águas, oiro do sol, silêncio e brilho das estrelas.
Sophia de Mello Breyner, In Contos Exemplares

sexta-feira, 20 de julho de 2012

FÉRIAS

As aulas terminaram, os exames também, chegou a hora de gozarem umas merecidas férias.
Retemperem as energias, gozem o sol e o mar, divirtam-se com os amigos, neste caso os mais fieis e sempre presentes, os livros!


BOAS FÉRIAS

sexta-feira, 8 de junho de 2012

SOPHIA DE MELLO

Apresentamos hoje dois trabalhos das nossas alunas do 8º ano, realizados no âmbito da disciplina de Português, com a professora Dina Pereira, sobre um dos contos do livro « Histórias da Terra e do Mar» de Sophia de Mello Andersen e publicados também no Youtube.