Ontem, tivemos o prazer de receber na nossa Biblioteca, a Drª Pilar Estefânia que veio fazer uma palestra subordinada ao tema « Percursos do Romântico em Almeida Garrett». Esta palestra, a primeira de quatro, vem na sequência do trabalho que a nossa Biblioteca está a desenvolver na Escola e que este mês envolveu todas as turmas do 2º e 3º ciclo. Almeida Garrett foi o autor proposto este ano pelo SABE, no projecto de animação comum entre a Biblioteca Municipal Almeida Garrett e as escolas.
A Drª Pilar Estefânia começou por nos falar da época do Romantismo e das suas características. Em seguida, falou da multifacetada personalidade do autor, da sua vida desde o nascimento no Porto até às suas andanças pelo mundo. Falou ainda, da muitiplicidade da sua obra, focando em especial o romance, a poesia, o teatro e as lendas e narrativas. Três alunos do 9º A leram os poemas « Cinco sentidos», « Gozo e dor» e ainda « Não te amo ». A propósito da obra dramática foi mostrado um excerto do filme « Frei Luís de Sousa». Terminou o 7º A cantando o poema « Barca Bela » com a Drª Iza Vieira. Agradecemos a presença da palestrante pois foi muito explícita na sua apresentação e os alunos ficaram a conhecer melhor o autor!
As aulas recomeçaram, Janeiro surge frio e chuvoso...não admira estamos no Inverno! Deixo-vos alguns provérbios alusivos a este mês. Repara como alguns são bem engraçados!
Aproveite Fevereiro quem folgou em Janeiro. Calças brancas em Janeiro, sinal de pouco dinheiro. Cava fundo em Novembro, para plantares em Janeiro. Chuva em Janeiro e não frio, dá riqueza no estio. Comer laranjas em Janeiro, é dar que fazer ao coveiro. Da flor de Janeiro, ninguém enche o celeiro. Dezembro com Junho ao desafio, traz Janeiro frio. Em Janeiro saltinho de carneiro. Em Janeiro sobe ao outeiro; se vires verdejar, põe-te a chorar, se vires nevar, põe-te a cantar. Roupa branca em Janeiro, sinal de pouco dinheiro. Janeiro quente, traz o Diabo no ventre. A 20 de Janeiro tem uma hora por inteiro e, quem bem souber contar, hora e meia lhe há-de achar. Quem em Janeiro lavrar, tem sete pães para o jantar. Janeiro frio e molhado, enche a tulha e farta o gado. De flores de Janeiro ninguém enche o celeiro. Se Janeiro não tiver trinta e uma geadas, tem de as pedir emprestadas. Em Janeiro uma hora por inteiro e, quem bem olhar, hora e meia há-de achar. Em Janeiro, cada Ovelha com seu Cordeiro. Em Janeiro, nem Galgo lebreiro, nem Açor perdigueiro. Em Janeiro, seca a Ovelha no fumeiro. Em Janeiro, sete capelos e um sombreiro. Em Janeiro, um Porco ao sol e outro ao fumeiro. Goraz de Janeiro vale dinheiro. Janeiro fora, cresce uma hora. Janeiro geoso e Fevereiro chuvoso fazem o ano formoso. Janeiro molhado, se não cria o pão, cria o gado. Janeiro molhado, se não é bom para o pão, não é mau para o gado. Janeiro tem uma hora por inteiro. Luar de Janeiro não tem parceiro; mas lá vem o de Agosto que lhe dá no rosto. Não há luar como o de Janeiro nem amor como o primeiro. No minguante de Janeiro, corta o madeiro. O mês de Agosto será gaiteiro, se for bonito o 1º de Janeiro. Pescada de Janeiro, vale um carneiro. Pintainho de Janeiro, vai com a mãe ao poleiro. Poda-me em Janeiro, empa-me em Março e verás o que te faço. Quem em Janeiro lavrar, tem sete pães para o jantar. Sapato branco em Janeiro é sinal de pouco dinheiro. Se o sapo canta em Janeiro, guarda a palha no sendeiro. Se queres ser bom alheiro, planta alhos em Janeiro. Se queres ser bom milheiro, faz o alqueire em Janeiro. Seda em Janeiro, ou fantasia ou falta de dinheiro. Verdura de Janeiro, não vai a palheiro. Vinho verde em Janeiro, é mortalha no telheiro.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Hoje deixo-vos mais um poema de Fernando Pessoa, através do seu heterónimo Alberto Caeiro, relacionado com a época e para nos encher o coração, no fim de semana.
Poema do Menino Jesus
Num meio-dia de fim de Primavera Tive um sonho como uma fotografia. Vi Jesus Cristo descer à terra. Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e a rolar-se pela erva E a arrancar flores para as deitar fora E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu. Era nosso demais para fingir De segunda pessoa da Trindade. No céu tudo era falso, tudo em desacordo Com flores e árvores e pedras. No céu tinha que estar sempre sério E de vez em quando de se tornar outra vez homem E subir para a cruz, e estar sempre a morrer Com uma coroa toda à roda de espinhos E os pés espetados por um prego com cabeça, E até com um trapo à roda da cintura Como os pretos nas ilustrações. Nem sequer o deixavam ter pai e mãe Como as outras crianças. O seu pai era duas pessoas - Um velho chamado José, que era carpinteiro, E que não era pai dele; E o outro pai era uma pomba estúpida, A única pomba feia do mundo Porque nem era do mundo nem era pomba. E a sua mãe não tinha amado antes de o ter. Não era mulher: era uma mala Em que ele tinha vindo do céu. E queriam que ele, que só nascera da mãe, E que nunca tivera pai para amar com respeito, Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir E o Espírito Santo andava a voar, Ele foi à caixa dos milagres e roubou três. Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido. Com o segundo criou-se eternamente humano e menino. Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz E deixou-o pregado na cruz que há no céu E serve de modelo às outras. Depois fugiu para o Sol E desceu no primeiro raio que apanhou. Hoje vive na minha aldeia comigo. É uma criança bonita de riso e natural. Limpa o nariz ao braço direito, Chapinha nas poças de água, Colhe as flores e gosta delas e esquece-as. Atira pedras aos burros, Rouba a fruta dos pomares E foge a chorar e a gritar dos cães. E, porque sabe que elas não gostam E que toda a gente acha graça, Corre atrás das raparigas Que vão em ranchos pelas estradas Com as bilhas às cabeças E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas Quando a gente as tem na mão E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus. Diz que ele é um velho estúpido e doente, Sempre a escarrar para o chão E a dizer indecências. A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia. E o Espírito Santo coça-se com o bico E empoleira-se nas cadeiras e suja-as. Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica. Diz-me que Deus não percebe nada Das coisas que criou - "Se é que ele as criou, do que duvido." - "Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória, Mas os seres não cantam nada. Se cantassem seriam cantores. Os seres existem e mais nada, E por isso se chamam seres." E depois, cansado de dizer mal de Deus, O Menino Jesus adormece nos meus braços E eu levo-o ao colo para casa.
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro. Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava. Ele é o humano que é natural. Ele é o divino que sorri e que brinca. E por isso é que eu sei com toda a certeza Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina É esta minha quotidiana vida de poeta, E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre. E que o meu mínimo olhar Me enche de sensação, E o mais pequeno som, seja do que for, Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo Dá-me uma mão a mim E outra a tudo que existe E assim vamos os três pelo caminho que houver, Saltando e cantando e rindo E gozando o nosso segredo comum Que é saber por toda a parte Que não há mistério no mundo E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre. A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado. O meu ouvido atento alegremente a todos os sons São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro Na companhia de tudo Que nunca pensamos um no outro, Mas vivemos juntos e dois Com um acordo íntimo Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas No degrau da porta de casa, Graves como convém a um deus e a um poeta, E como se cada pedra Fosse todo o universo E fosse por isso um grande perigo para ela Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens E ele sorri porque tudo é incrível. Ri dos reis e dos que não são reis, E tem pena de ouvir falar das guerras, E dos comércios, e dos navios Que ficam fumo no ar dos altos mares. Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade Que uma flor tem ao florescer E que anda com a luz do Sol A variar os montes e os vales E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o. Levo-o ao colo para dentro de casa E deito-o, despindo-o lentamente E como seguindo um ritual muito limpo E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma E às vezes acorda de noite E brinca com os meus sonhos. Vira uns de pernas para o ar, Põe uns em cima dos outros E bate palmas sozinho Sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho, Seja eu a criança, o mais pequeno. Pega-me tu ao colo E leva-me para dentro da tua casa. Despe o meu ser cansado e humano E deita-me na tua cama. E conta-me histórias, caso eu acorde, Para eu tornar a adormecer. E dá-me sonhos teus para eu brincar Até que nasça qualquer dia Que tu sabes qual é.
Esta é a história do meu Menino Jesus. Por que razão que se perceba Não há-de ser ela mais verdadeira Que tudo quanto os filósofos pensam E tudo quanto as religiões ensinam ?
Deixo-vos um vídeo lindíssimo, apropriado a esta época do ano, que nos convida a viajar ou apenas a sonhar...
Existe um livro com o mesmo nome, do ilustrador Raymond Briggs e editado pela Caminho ,onde a palavra não existe porque as imagens são universalmente legíveis, é um bom ponto de partida para qualquer actividade.
Mais uma vez, cá vimos Festejar o teu novo nascimento, Nós, que, parece, nos desiludimos Do teu advento! Cada vez o teu Reino é menos deste mundo! Mas vimos, com as mãos cheias dos nossos pomos, Festejar-te, ? do fundo Da miséria que somos. Os que à chegada Te vimos esperar com palmas, frutos, hinos, Somos ? não uma vez, mas cada ? Teus assassinos. À tua mesa nos sentamos: Teu sangue e corpo é que nos mata a sede e a fome; Mas por trinta moedas te entregamos; E por temor, negamos o teu nome. Sob escárnios e ultrajes, Ao vulgo te exibimos, que te aclame; Te rojamos nas lajes; Te cravejamos numa cruz infame. Depois, a mesma cruz, a erguemos, Como um farol de salvação, Sobre as cidades em que ferve extremos A nossa corrupção. Os que em leilão a arrematamos Como sagrada peça única, Somos os que jogamos, Para comércio, a tua túnica. Tais somos, os que, por costume, Vimos, mais uma vez, Aquecer-nos ao lume Que do teu frio e solidão nos dês. Como é que ainda tens a infinita paciência De voltar, ? e te esqueces De que a nossa indigência Recusa Tudo que lhe ofereces? Mas, se um ano tu deixas de nascer, Se de vez se nos cala a tua voz, Se enfim por nós desistes de morrer, Jesus recém-nascido!, o que será de nós?!
A Tapeçaria de Bayeux é uma obra feita em bordado (data do século XII). Foi feita em Inglaterra para comemorar os eventos da batalha de Hastings (14 de Outubro 1066) e o sucesso da conquista Normanda de Inglaterra, levada a cabo por Guilherme II, Duque da Normandia. A disposição dos desenhos é invulgar para a época e faz com que a tapeçaria seja uma peça importante na História da Arte. Alguns historiadores conferem à tapeçaria de Bayeux o estatuto de percursor da banda desenhada. Aqui temos uma versão animada desta tapeçaria.
Hoje realizou-se a inauguração da exposição de « Vasco da Gama e o Caminho Marítimo para a Índia», com uma palestra pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas.
A Drªa Iza Vieira, vestida com um belo sari, fez uma introdução ao tema explicando aos presentes a importância da Viagem à Índia, para Portugal e para a globalização, bem como o desenrolar da palestra.
Diversos professores, em seguida,abordaram as seguintes vertentes:
- Situação, clima, população e economia da Índia ( Grupo de Geografia) - Drª Isabel Oliveira
- Situação económica e social da Europa e de Portugal no tempo dos Descobrimentos ( Grupo de História do 2º ciclo)- Drª Manuela Ferreira
-As religiões da Índia antiga e actual ( Grupo de Religião e Moral) - Drª Elsa Lopes
Por fim os alunos puderam experimentar os sabores do Oriente, degustando um apetitoso e perfumado caril que foi um sucesso!
A Biblioteca Municipal Almeida Garrett ofereceu à Escola, em parceria com a Câmara Municipal do Porto, vários livros sobre Almeida Garrett, que poderás consultar e requisitar para os teus trabalhos sobre o autor.